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Descaso em hosp.Psiquiátrico1
Paciente ao relento sem os devidos cuidados, c/ hanseníase.
  Paciente ao relento sem os devidos cuidados, c/ hanseníase.
  Este documento trata de um desabafo de uma parente de paciente que se viu num hospital psiquiátrico, Hoospital José Alberto Maia, situado em Camaragibe, Pernambuco, profundamente corrupto, sem moral, onde a última preocupação era com o HUMANO, o paciente portador de doença mental.
O descaso, as negociatas, as propinas, o sofrimento, a falta de cuidado, o ambiente insalubre, a falta de roupas, lençóis, colchões, o excesso de percevejos, baratas, ratos, comida que mais parecia uma lavagem, funcionários que tratam pacientes como seus empregados, que os colocam para catar o lixo, comer sobras, dormirem expostos ao frio, como nos casos dos idosos e pacientes tuberculosos, o alto índice de óbitos, muitas delas por falta de mínimos cuidados, onde alguns médicos da instituição nem tem coragem de colocar o verdadeiro motivo da ”alta celestial” como diziam, por ser motivo de cassação de seus conselhos.Esses pacientes vivem em condições sub-humanas, e os empresários da psiquiatria serem pagos, e aqui não interessa o valor, são pagos e é o que importa, para tratar e assim o fazem da maneira acima descrita. Além de outros funcionários subornarem e pressionarem famílias de pacientes para lhe arrancarem o pouco que elas têem.

As diaristas de cada pavilhãodistribuem lanches para todas as outras, era tirado dos lanches trazidos por familiares, para serem dados a seus parentes (o hospital não dá lanche algum), muitas vezes as diaristas mostraram-me roupas e objetos pessoais que elas próprias compravam para determinada usuária, era com dinheiro da família da mesma, elas, porém ocultavam esse detalhe.
Uma vez Creuza ( diarista do Pavilhão José OtávioI), ligou-me dizendo que arrombaram a sua gaveta e levaram os pertences de algumas pacientes, lhe orientei a procurar a direção do hospital, ela não o fez, descobri que ela sumia com o dinheiro e criava essa estória.
Em outro momento, junto com Bete, constatei que ela recebia envelopes de dinheiro de famílias humildes e carentes, que ela as coagia, prática que no futuro descobri ser muito usual entre as diaristas antigas, bem como com as assistentes sociais, que também pediam direta ou indiretamente dinheiro, presentes ou favores outros,as famílias que tinham pacientes ali internos.
Também comecei a observar que os pacientes fumavam muito, fumo de rolo,éramos,nós funcionários, fumantes passivos.
Faziam sexo com promiscuidade e em todo lugar, eram muito sujas, a assepsia era rara, as chagas e as doenças surgiam devido a falta de higiene, pacientes caminhavam junto com ratazanas, esgoto da lavanderia, cobras devido a enorme área verde, a fome também não dava trégua, comida escassa,ruim, suja,uma lavagem.As pacientes reclamavam em vão, iam perdendo peso,perdendo peso, até ficarem tuberculosas e irem para o pavilhão dos tuberculosos e de lá morrerem.
Quando não, morriam de causa desconhecida,o laudo que os clínicos brigavam para não dar,e não se comprometerem, era diagnosticado: Parada Cardio Respiratória.
Comecei a observar os outros pacientes, e constatei outro absurdo, eles trabalhavam: no jardim, esfregando chão,carregando pesados baldes de cloro, empurrando carroças com o lixo, lavando refeitório, carregando material de limpesa, enfim tudo que os funcionários designados para esses tipos de serviço, deveriam fazer mandavam os pacientes.
E os coitados, ficavam doentes, com doenças de pele devido ao cloro, e tantas outras.
Observava muito, e logo percebi que muitos funcionários apenas batiam o ponto e saiam,eram pagos , pela verba federal,mas trabalhavam nas casas dos donos do referido hospital,mais um crime.
Via também pacientes fazerem favores aos funcionários,indo a padarias,barracas,supermercados,chegarem cheios de sacolas,cansados de carregarem tanto peso, que estranho,não são pacientes crônicos que devem viver enclausurados?
Mais um dado interessante que via com freqüência, o bicheiro,homem que passa jogo do bicho, tinha livre acesso as dependências dos pavilhões,para os pacientes fazerem seus jogos,crime de incentivo ao jogo em pessoas inimputáveis.
Subornavam o porteiro para terem acesso a recepção, e a sair de vez em quando, davam cigarros, lanches e até dinheiro.
Outra prática muito comum na época do Imposto de Renda,era a venda desenfreada de recibos falsos,era incrível como todo mundo passava recibo para todo mundo.
Declarações de patologias, nem sempre verdadeiras, para que os pacientes continuassem ali eram habituais na época de fiscalização.
Outro dado curioso era que algumas famílias não prestavam assistência adequada a seus parentes ali internos,ficando com a verba de direito do paciente, a LOAS, e o curioso é que as assistentes sociais tinham uma enorme resistência de denunciar o fato, bem como de realizar visitas as residências, e levar os pacientes para passeios fora do ambiente hospitalar.
Colchões dos pacientes eram expostos ao sol, fétidos, lençóis rasgados, camas sem colchão, pacientes nuas o dia inteiro.
Algumas estavam tão bronzeadas que as queimaduras confundiam-se com marcas de sujeira entranhada no corpo,ficavam nuas jogadas no sol escaldante todo o dia,nenhum plantonista se dignava a tirá-las do sol.
As mais deficitárias comiam o que viam pela frente inclusive tive a oportunidade de ver uma comer um rato.